
Alonso larga para mais um passeio tranqüilo da Renault. (Foto: F-1 Na Web)
Domingo, olho para o relógio do celular após ter desligado a televisão. 5:48 da manhã. Fui dormir feliz depois de ter acompanhado uma corrida como há tempos não via na Fórmula 1. Tal qual Machado de Assis em seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, começo pelo fim o meu relato da corrida na Malásia.
Os leitores desse blog devem estar se perguntando: "Afinal, o que leva um sujeito normal a acordar às 3:30 da madrugada para assistir uma corrida de Fórmula 1? Loucura? Falta do que fazer?". Respondo: a simples paixão por esse esporte que acompanho desde 1988 (com mais presença em frente à TV desde 1990-1) e a esperança de assistir a um bom espetáculo.
Tá certo que o GP da Malásia não foi um espetáculo digno das épocas que tínhamos Senna, Prost, Mansell, Patrese e tantos outros, mas foi uma corrida bastante divertida que me fez ficar vidrado em frente à televisão como há muito tempo não fazia.
Novamente a primeira fila tinha uma Renault e uma Toyota. Trulli estava lá na primeira fila de novo, mas a pole tinha ficado para Alonso. Fisichella, líder do campeonato largava apenas na segunda fila, dividindo-a com Mark Webber da Williams, que estava lá na segunda fila de novo. A Ferrari largando lá atrás e a Red Bull, mais uma vez, botando os dois carros entre os dez primeiros. A largada acontece e o esperado também. Trulli se mantém bem na segunda posição, Alonso segura a liderança e vai embora, como Fisichella foi na Austrália.
A diversão começou logo nas primeiras voltas. A BAR que tinha usado de uma manobra ilícita para trocar de motores na prova da Malásia (recapitulando: na última volta do GP da Austrália as BAR pararam por ordem do chefe da equipe, sem razão, apenas para trocar de motor. Depois disso, a FIA resolveu tomar providências e investigará todos os abandonos daqui para frente. Antes tarde...) teve o que mereceu. Para começar o "show man" Takuma Sato teve uma virose e não pôde correr, dando o seu lugar ao piloto de testes Anthony Davidson.
Nem uma coisa, nem outra, deram jeito na BAR. Os dois carros abandonaram logo no início. A causa, adivinham? MOTOR!!! Isso mesmo, o feitiço virou contra o feiticeiro e as duas BAR abandonaram com quebra no motor Honda. As brigas por posições continuaram acontecendo, enquanto que o calor inclemente (temperaturas um pouco acima dos 50 GRAUS no asfalto) começava a dar as caras. Kimi Raikkonen foi a primeira vítima do calor, vendo o seu pneu traseiro direito se esfacelar em pedaços pouco depois do reabastecimento. Voltou aos boxes para trocar o pneu defeituoso (e, pelo regulamento, tem que ser trocado por um pneu usado nos treinos, não um "zero quilômetro") e começou uma sensacional corrida de recuperação.
A corrida parecia entrar para um momento de chatice. Alonso e Trulli se isolando na liderança, as Ferrari tentando se recuperar, as Red Bull encostando na zona dos pontos... estava quase fechando os olhos quando, de repente, não mais que de repente... três carros disputando posições. As duas Williams e a Toyota de Ralf Schumacher. Os três se espremendo curva a curva. Algumas fritadas, uma certa alternância entre os três pilotos e, finalmente, as Williams foram embora.

Ralf, Webber e Heidfeld deram um show na briga pelo quarto lugar. (Foto: F-1 Na Web)
Fisichella começava a sofrer com problemas de pneu e as Williams se aproximaram. Mark Webber, afoito como ele só, tentou a ultrapassagem, o italiano se defendeu como pôde até chegar na última curva do circuito. Resultado, Fisichella saiu de traseira, a Renault passou por cima da Williams do australiano (que precisa comer muito arroz e feijão para tentar sonhar com o título mundial) e os dois acabaram abandonando a prova. Melhor para Nick Heidfeld que, "à mineira", ficou com a terceira posição.

Fisichella sai de traseira e não segura o carro na briga pelo 3º lugar. (Foto: Formula1.com)

Outro ângulo da batida... (Foto: F-1 Na Web)

E os acidentados, com cara de poucos amigos. (Foto: F-1 Na Web)
As Ferrari, mais uma vez, sofreram na pista. E desta vez não foi por causa da concorrência e sim por conta do calor. Quem estava de pneu Bridgestone sofreu, tanto a ponto de Rubens Barrichello tomar uma volta do líder. Com problemas nos pneus, o brasileiro acabou abandonando próximo do final da prova. Michael Schumacher (que a cada dia prova ser um piloto normal como qualquer outro), depois do início patético na Austrália, conseguiu se conter e chegar ao final da corrida somando dois pontos no sétimo lugar.
No final, o pódio da corrida mostrou o grau de esforço físico ao que os pilotos se submeteram. Alonso mal conseguia ficar de pé. Trulli, que fez história ao conseguir o primeiro pódio da história da Toyota, não comemorou. Mas não foi pelo cansaço! O italiano dedicou o segundo lugar a um amigo que havia falecido naquela semana. Heidfeld – que (ao meu ver) fez uma corrida correta sem se afobar e, finalmente, provou porque por escolhido para a vaga na Williams – era o que parecia estar mais inteiro no pódio e foi o único a ter disposição para estourar a champanhe. As Red Bull mostraram ter regularidade e chegaram, de novo, nos pontos. Coulthard em sexto e Klien em oitavo. Completaram a zona de pontuação Montoya em quarto e Ralf Schumacher, com a outra Toyota, em quinto.

Pódio dos cansados: Trulli (2º), Alonso (1º) e Heidfeld (3º). (Foto: Formula1.com)
Depois de uma corrida como essas, nada como dormir feliz e tranqüilo para depois descansar e aproveitar um domingo bem brasileiro: curtindo uma preguiça, descansando, fazendo quase nada... Fórmula 1 agora só daqui a duas semanas no Bahrein.
OPINIÃO:
Uma corrida onde o calor acabou com os pilotos. Ultrapassagens, gente tendo que poupar pneus para não comprometer o equipamento, boas brigas na pista... é o regulamento novo começando a surtir efeito. Bom mesmo é não ouvir o hino alemão com tanta freqüência como nas últimas cinco temporadas. Mas, se continuar assim, só dando Renault, teremos que nos acostumar (e muito) a ouvir a Marselhesa.
Tudo sobre a rodada dos finais de semana nos campeonatos estaduais você confere aqui no Reformulando. Amanhã tudo sobre a Fórmula 1 em mais um super comentário. Vamos ao expediente:
PARANAENSE: Só milagre classifica Paraná. Dupla Atle-tiba vence.
O Campeonato Paranaense está chegando ao final da sua primeira fase e ainda temos briga pela classificação nos dois grupos. No Grupo A, a situação ficou extremamente difícil para o Paraná Clube após o jogo deste sábado. Depois de estar atrás no placar por duas vezes, o Paraná chegou a virar o jogo, mas no final, acabou cedendo o empate para a ADAP de Campo Mourão. Final do jogo: 4 a 4, o Paraná com 16 pontos e dependendo de um milagre para se classificar.

Renaldo (de costas) foi o destaque contra a ADAP. Os quatro do Paraná foram dele. (Foto: Paraná-OnLine)
Isso porque o Roma de Apucarana apenas empatou sem gols com o Engenheiro Beltrão em casa e tem 19 pontos na quarta colocação, mesma pontuação da ADAP. Para o Paraná se classificar precisa vencer o Coritiba na próxima rodada e torcer para uma derrota do Roma contra o Rio Branco em Paranaguá na última partida.
O Rio Branco perdeu para o Coritiba em Maringá por 3 a 1 e viu suas últimas chances de classificação desabarem por água abaixo. No outro jogo da chave o Cianorte goleou o União Bandeirantes por 4 a 0 e garantiu o segundo lugar no grupo. O Coritiba já havia garantido a liderança.

O Coritiba, já líder absoluto, continua com a melhor campanha do Estadual. (Foto: Paraná-OnLine)
No Grupo B, quatro clubes ainda brigam por duas vagas. Atlético e Iraty já garantiram presença na próxima fase. O rubro negro venceu o Malutrom por 1 a 0 e praticamente garantiu a liderança do Grupo. O Iraty goleou o já rebaixado Império de Toledo por 5 a 0 e também está na segunda fase. Nacional de Rolândia, Londrina, Francisco Beltrão e Atlético Paranavaí ainda brigam por duas vagas. O Nacional venceu o Francisco Beltrão por 4 a 2 e chegou aos 16 pontos, ainda tendo chance de se classificar. O Francisco Beltrão tem 18 pontos. O Londrina venceu, em casa, o Atlético Paranavaí por 1 a 0 e tem 19 pontos, dependendo só das suas forças para chegar na próxima fase. O Paranavaí tem 17 pontos.
A rodada decisiva do Paranaense acontece na quarta-feira, com todos os jogos começando às 20:30.
PAULISTA: No duelo dos invictos, São Paulo surra Marília e se isola cada vez mais na liderança. No clássico, Corinthians supera o Palmeiras.
No Campeonato Paulista, o São Paulo está cada vez mais isolado na liderança e vem batendo em todo mundo que ousa estar a sua frente no campeonato. A vítima da vez foi o Marília, que não perdia há sete jogos. Uma senhora goleada de 6 a 0 e a vantagem para o Santos aumentando cada vez mais. Agora são sete pontos, isso porque o Santos só empatou com o América de Rio Preto, jogando em casa, por 3 a 3 chegando aos 28 pontos. O São Paulo tem 35.

Rogério ARTILHEIRO Ceni, seguindo sua rotina de boas defesas e belos gols. Contra o Marília, mais um dele. (Foto: UOL Esporte)
No clássico da rodada, o Corinthians venceu o Palmeiras no Morumbi por 2 a 0 e garantiu a terceira posição com 25 pontos, mesma pontuação do Mogi Mirim. O time do interior está em quarto por causa do saldo de gols. Destaque também para o jogaço em Araras entre União São João e São Caetano. Um jogo cheio de reviravoltas no placar e, no final, vitória para o azulão por 5 a 4.

Jogadores do Corinthians comemoram o primeiro dos dois gols no clássico. (Foto: UOL Esporte)
CARIOCAS: Goleadas e classificados se definindo. Vasco e Flamengo empatam no clássico da rodada.
No Rio, goleadas e goleadas na rodada do campeonato estadual. Em Nova Friburgo o Fluminense não tomou conhecimento do Friburguense e simplesmente surrou o time da casa por 5 a 2 e garantiu presença nas semifinais. A exemplo do Volta Redonda que venceu o Olaria por 5 a 3, com atuação destacada de Túlio "Maravilha" com 4 gols e a artilharia do Carioquinha. No sábado, o Botafogo suou para vencer o Madureira por um magro 2 a 1 e está com um pé na semifinal.

No Fluminense, festa e classificação após a goleada. (Foto: UOL Esporte)
No clássico da rodada, o Maracanã lotado viu um jogaço entre Vasco e Flamengo. No final, 2 a 2 que deixa o Flamengo próximo das semifinais na Taça Rio e o Vasco dependendo de um milagre para se classificar.
OPINIÃO:
Depois desse resumo, nada a dizer sobre o São Paulo. Líder, cada vez mais líder e parece que está inalcançável no Paulistão. No Carioca, pelo jeito, teremos uma Taça Rio "infestada" de "grandes" e só o Volta Redonda podendo, quem sabe, garantir o título carioca de 2005. Vou torcer pra isto!!
Já no Paranaense, meu tricolor segue sem perder, mas agora depende de um verdadeiro milagre para conseguir garantir presença na segunda fase do torneio. O rebaixamento não assusta mais, agora a classificação, antes tão próxima, está cada dia mais distante. Ainda mais tendo que viajar pra Maringá pra enfrentar os coxinhas. Vencer já vai ser difícil, e ainda depender do tropeço do Roma para se classificar... bem, o futebol é surpreendente e emocionante. Vamos ver como vai terminar esta quarta-feira.
Nota: Hoje, se estivesse vivo, Ayrton Senna da Silva estaria completando 45 anos de idade!!

Aqui, Senna depois de vencer no Brasil. SAUDADES DOS BONS TEMPOS DA F-1... (Foto: PortalF1.com)
|
|||